Saúde do Homem

Como aumentar a testosterona: o que funciona

Como aumentar a testosterona - homem de meia-idade sentado no banco da academia, cansado depois do treino

Quem procura como aumentar a testosterona quase sempre chega com a mesma frase: estou mais cansado, o treino não rende igual e a vontade caiu. A internet responde rápido demais, e em geral responde vendendo alguma cápsula. Este texto vai no caminho contrário: primeiro a gente confere se o seu hormônio está mesmo baixo, depois separa o que a ciência sustenta do que só sustenta o faturamento de quem vende.

Sou urologista em Maringá e atendo homens com essa queixa toda semana. Boa parte deles não precisa de hormônio nenhum — precisa de um diagnóstico honesto e de três ou quatro mudanças que ninguém teve paciência de explicar.

Antes de tentar aumentar, descubra se ela está baixa

Cansaço, irritação e pouca libido aparecem em dezenas de situações. Anemia faz isso. Depressão faz isso. Apneia do sono faz isso. Tratar o hormônio sem medir é o jeito mais comum de perder tempo e dinheiro.

O documento conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Sociedade Brasileira de Urologia, publicado no International Braz J Urol em 2026, define números claros para essa conferência. Testosterona total abaixo de 264 ng/dL sustenta o diagnóstico. Acima de 350 ng/dL, ele fica afastado. Entre 264 e 350 o exame sozinho não decide, e aí entram a SHBG, a albumina e o cálculo da fração livre.

Dois detalhes mudam o resultado e passam batido com frequência:

  • Horário. A coleta vai entre 7h e 10h da manhã, em jejum. O hormônio oscila ao longo do dia, e sangue colhido à tarde costuma dar mais baixo do que você realmente tem.
  • Repetição. Um exame alterado precisa de uma segunda amostra, cerca de quatro semanas depois. Uma medida isolada não fecha diagnóstico nenhum.

Se você quer entender o que cada sintoma significa antes de colher, escrevi em detalhe sobre os sintomas de testosterona baixa. Vale ler antes da consulta.

Como aumentar a testosterona sem remédio: o que tem evidência

Aqui está a parte que quase ninguém quer ouvir, porque dá trabalho e não cabe num frasco. Mesmo assim, é o que move o ponteiro na maioria dos homens.

Reduzir a gordura abdominal

A gordura visceral converte testosterona em estrogênio. Quanto maior a circunferência abdominal, mais forte essa conversão. Por isso o mesmo homem que perde peso costuma ver o exame subir sem ter tomado nada. Não é mágica: é menos hormônio sendo desviado no caminho.

Dormir de verdade

A maior parte da produção acontece durante o sono. Noites curtas e repetidas derrubam o nível, e a apneia do sono derruba mais ainda — o ronco alto com pausas na respiração é um sinal que merece investigação. Corrigir a apneia, quando ela existe, costuma resolver mais do que qualquer suplemento da prateleira.

Treinar força

Musculação e exercícios com carga têm efeito hormonal consistente, principalmente em quem estava sedentário. Excesso também atrapalha: volume muito alto sem descanso, somado a dieta muito restrita, joga o nível para baixo. O ponto ideal fica no meio, e ele é individual.

Rever o que você já toma

Opioides para dor crônica, corticoides em uso prolongado e alguns antidepressivos reduzem a testosterona. Álcool em quantidade alta também. Leve a lista completa do que você usa para a consulta, inclusive o que comprou sem receita. Muita gente descobre ali a causa que procurava havia meses.

Corrigir o que estiver faltando

Deficiência de vitamina D e de zinco pode contribuir quando existe de fato, e a correção faz sentido nesse cenário. Repare na condição: quando existe de fato. Tomar zinco com o nível normal não sobe nada — só aumenta a chance de efeito indesejado.

O que não funciona, mesmo sendo vendido todo dia

Os chamados boosters de testosterona ocupam uma prateleira inteira em qualquer loja de suplemento. Tribulus terrestris, maca peruana, fórmulas manipuladas com nome comercial forte. As evidências de que elevem o hormônio em homens com nível normal são frágeis, e nenhuma diretriz brasileira os recomenda para essa finalidade.

O implante hormonal, popularmente chamado de chip, merece um parágrafo à parte. O documento da SBEM e da SBU classifica essa via como Classe III, Nível B, e cita a alta incidência de policitemia secundária — o sangue fica mais grosso do que deveria. Não é uma questão de preferência pessoal: é uma recomendação escrita contra.

Anabolizante para ganhar massa ou desempenho é outro capítulo, e um capítulo caro. Ele desliga a produção natural, reduz o testículo e compromete a fertilidade, às vezes de forma que não volta ao ponto de partida. Detalhei esse risco no texto sobre anabolizantes e saúde sexual. O Conselho Federal de Medicina veda esse uso com finalidade estética na Resolução 2.333/2023.

E quando a reposição hormonal entra

A reposição tem lugar, e o lugar dela é bem delimitado: sintomas somados a exames alterados e confirmados. Idade, por si só, não é indicação. Vontade de render mais na academia também não.

Quando a indicação existe, o mesmo documento coloca as apresentações injetável e em gel como Classe I, Nível A — a recomendação mais forte da escala. O alvo de tratamento fica na faixa de 450 a 600 ng/dL, e o acompanhamento tem calendário: hematócrito e testosterona total aos 3, 6 e 12 meses, PSA e exame prostático aos 3 e aos 12.

Esse calendário existe porque a reposição tem efeitos que precisam ser vigiados, entre eles o aumento do hematócrito e a supressão da fertilidade. Quem pretende ter filhos precisa conversar sobre isso antes de começar. Escrevi um texto específico sobre quando a reposição de testosterona é indicada, seguindo essa mesma diretriz, e outro sobre a relação entre reposição e saúde cardiovascular.

Testosterona baixa não explica tudo

Vale guardar esta parte. Muitos homens chegam certos de que o hormônio é o culpado pela queda de libido, e o exame volta normal. A causa costuma estar em outro lugar: sono ruim, estresse, uso de medicação, problema no relacionamento, quadro depressivo. Tratei disso no artigo sobre baixa libido masculina.

Da mesma forma, a queda hormonal que acompanha o envelhecimento tem características próprias e nem sempre pede tratamento. Quem quiser se aprofundar pode ler sobre os sinais de queda hormonal ao longo dos anos.

O caminho prático, em quatro passos

  1. Colha testosterona total entre 7h e 10h, em jejum, e repita o exame se vier alterado.
  2. Leve para a consulta a lista de tudo que você toma, com receita e sem receita.
  3. Ataque o que está ao seu alcance: gordura abdominal, sono, treino de força, álcool.
  4. Discuta reposição apenas depois disso, e apenas se o diagnóstico estiver fechado.

Esse roteiro resolve a maior parte dos casos sem receita de hormônio. E quando não resolve, você chega na decisão com informação na mão, em vez de chegar no balcão da loja de suplemento.

Perguntas frequentes sobre como aumentar a testosterona

Quanto tempo leva para a testosterona subir com mudança de hábito?

Depende do que está causando a queda. Em homens que perdem gordura abdominal e corrigem o sono, o exame costuma mostrar diferença em alguns meses, não em dias. Por isso a recomendação é repetir a dosagem depois de um período de mudança consistente, e não semana a semana.

Suplemento de tribulus ou maca aumenta a testosterona?

As evidências de aumento hormonal em homens com nível normal são frágeis, e nenhuma diretriz brasileira recomenda essas substâncias com essa finalidade. Antes de gastar com suplemento, o caminho é dosar o hormônio no horário certo e investigar a causa.

O implante hormonal (chip) é uma opção para repor testosterona?

O documento conjunto da SBEM e da SBU classifica o implante como Classe III, Nível B, citando a alta incidência de policitemia secundária. As vias injetável e em gel têm recomendação Classe I, Nível A. A escolha da via é feita na consulta, considerando o seu caso.

Posso repor testosterona só porque passei dos 50 anos?

Idade isolada não é indicação. O diagnóstico exige sintomas compatíveis somados a exames alterados e confirmados em segunda amostra. Sem isso, a reposição expõe o paciente a efeitos como aumento do hematócrito e queda da fertilidade sem um benefício definido.

A reposição de testosterona atrapalha quem quer ter filhos?

Sim, a reposição suprime a produção própria e reduz a fertilidade enquanto é usada. Quem pretende ter filhos precisa levantar esse ponto antes de iniciar o tratamento, porque existem alternativas a discutir com o urologista nessa situação.

Onde investigar isso com acompanhamento

O caminho começa por um exame colhido na hora certa e por uma conversa sobre o que você sente. No consultório, em Maringá, essa avaliação faz parte do atendimento em saúde sexual masculina, e inclui a discussão sobre indicação, riscos e alternativas.

Para marcar uma consulta ou tirar dúvidas, fale com a equipe pelo WhatsApp do consultório.

Fonte técnica citada neste texto: Care of Patients with Male Hypogonadism: A Joint Position Statement from the SBEM, SBU and ABEMSS, International Braz J Urol, 2026;52(3):e20250610.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica. Os dados apresentados vêm de estudos publicados e de diretrizes de sociedades de urologia e endocrinologia. Não representam garantia de resultado. Indicação, benefícios, riscos e alternativas são avaliados individualmente na consulta.

Dr. Juliano Plastina — Urologista e Cirurgião Robótico em Maringá · CRM/PR 17954 · RQE 13.732 · Instagram @drjulianoplastina.uro

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